Desenho e Ilustração


O desenho e a ilustração em Carlos Rosa

O desenho e a ilustração são atos espontâneos de representação das realidades e especulação sobre os nossos quotidianos.
Esta atitude voluntária de interpretação do mundo está fortemente imbuída do olhar do designer, do observar crítico de quem analisa e disseca o mundo com o objetivo de intervir sobre ele. Os momentos de captura do designer são depois intervencionados pela mão do ilustrador.
A urgência no desenho é visível nas peças a caneta. Desenhos rápidos e espontâneos que exploram os contextos e os ambientes através de uma manualidade quase fortuita. Intervencionados com café, que contrastado com a tinta da caneta, dão ao desenho personalidade e individualidade, permitindo que o desenho subsista e se perpetue, apesar dos espaços vazios que clamam por uma concretização.
Já na ilustração digital, o ato de desenhar comporta-se de forma controlada e nada espontânea. Mantém a sua relação com uma urgência fugaz de materializar o desenho, mas adota um estilo mais pensado, quase programado, o que permite um pensamento mais especulativo na criação de cenários que atravessamos nas nossas vivências.
Em algumas obras há encadeamentos formais entre o desenho a café e a sua concretização digital, como se o desenho em papel ganhasse uma segunda vida, que não elimina a primeira, mas sim que subsiste e se complementa em duas realidades de representação paralelas, que divergem em estilo, mas que convivem para um diálogo visual comum.
Aqui, a urgência de capturar o real manifesta-se numa manualidade quase fortuita, onde a caneta disseca o quotidiano com a precisão de quem observa para intervir. É o registo da rapidez e da honestidade do momento.

Desenho a caneta

Série "Praia"
Gaivotas, 2022

9 × 14 cm

A individualidade do traço ganha corpo através do acasoorgânico. O café intervenciona o desenho, preenchendo vazios e conferindo uma personalidade atemporal à peça. Onde a tinta da caneta delimita, o café expande, perpetuando o desenho numa atmosfera de memória e substância.

Desenho a caneta e café

Série "Aves a café"
Tucano a café

10 × 13 cm

Gravura

O diálogo entre a força e a resistência. A especulação sobre o real transfere-se para a matriz, onde o sulco e a incisão transformam a espontaneidade do desenho num pensamento estruturado. É o momento em que a imagem se torna sulco, memória física gravada na matéria.
Série "Loures"
Porta, 2025

24 × 31 cm

Serigrafia com impressão digital

A coexistência de duas realidades paralelas. A precisão programada do digital funde-se com a textura da técnica tradicional, permitindo que cenários especulativos ganhem uma nova vida técnica. É o encontro entre o pensamento calculado e a materialização em série.
Série "Mulheres"
Busto, 2024

25 × 25 cm

Serigrafia

A democratização do olhar do designer. O desenho, antes único, assume aqui uma natureza de repetição controlada, sem perder a sua essência crítica. A cor e a forma são depositadas por camadas, construindo uma representação do mundo que é, simultaneamente, técnica e expressiva.
Série "Vintage"
Sala verde, 2023

30 × 40 cm

O encerramento do ciclo entre o programado e o espontâneo. A ordem da serigrafia é desafiada pela imprevisibilidade do café, devolvendo à obra seriada a sua aura de peça única. É o diálogo visual final, onde a reprodução técnica e a manualidade orgânica convivem numa simbiose perfeita.

Serigrafia intervencionada com café

Série "Design"
Daciano, 2022

20 × 20 cm