Algoritmo do Olhar

Galeria Municipal Vieira da Silva, Loures

Julho 2025

A conflito entre o ser humano e as máquinas no cinema remonta há quase cem anos. Metropolis (1927) de Fritz Lang aborda essa temática, e será talvez o filme de sci-fi mais influente de sempre. Foi talvez o ponto de partida para as distopias adivinhatórias, e talvez também o ponto de partida para a convenção de um algoritmo social e moral.
A criação destes mundos fictícios influencia novos mundos, também eles fabricados, que são os mundos em que vivemos. 
O nosso algoritmo do olhar talvez esteja assim habilitado a processar em simultâneo uma redução empírica da realidade real e uma ampliação da realidade fabricada. 
E esta fabricação é nada mais nada menos o mote para a compilação das obras que compõem esta exposição. Um saltitar constante entre o real e o imaginado, entre o humano e o humanoide, entre o campo e as cidades digitais, entre o quotidiano vivido e o quotidiano fabricado.

Galeria

O desenho nesta exposição é a expressão do próprio prazer que o autor procura ou comunica, há todo um espaço que se abre, e há todo o seu entrançamento íntimo com o tempo, esse tempo que o desenho suspende e põe a vibrar diante dos olhos num diálogo entre diferentes formas de desenhar cujo objetivo é o de uma poética visual.
No diálogo entre a escrita e o desenho, dá-se forma a personagens que nascem desde a conceção visual até à definição plena das suas identidades. A mão, sempre em confronto com a matéria que transforma e com a forma que transfigura, torna-se um elo entre o pensamento e a expressão. E as palavras também são desenhos.
Neste sentido é uma exposição que nos lembra que o pensamento deve desconfiar daquilo que não se pode desenhar, pois como nos diz o filósofo Gaston Bachelard:  “tudo se desenha, mesmo o infinito”.